Carta à Igreja de Filadélfia

 

 

Ao anjo da igreja em Filadélfia escreve: Estas coisas diz o santo, o verdadeiro, aquele que tem a chave de Davi, que abre, e ninguém fechará, e que fecha, e ninguém abrirá: 8 Conheço as tuas obras -- eis que tenho posto diante de ti uma porta aberta, a qual ninguém pode fechar -- que tens pouca força, entretanto, guardaste a minha palavra e não negaste o meu nome. 9 Eis farei que alguns dos que são da sinagoga de Satanás, desses que a si mesmos se declaram judeus e não são, mas mentem, eis que os farei vir e prostrar-se aos teus pés e conhecer que eu te amo. 10 Porque guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te guardarei da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para experimentar os que habitam sobre a terra. 11 Venho sem demora. Conserva o que tens, para que ninguém tome a tua coroa. 12 Ao vencedor, fá-lo-ei coluna no santuário do meu Deus, e daí jamais sairá; gravarei também sobre ele o nome do meu Deus, o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém que desce do céu, vinda da parte do meu Deus, e o meu novo nome. 13 Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.1

 

Ao anjo da igreja em Filadélfia escreve: Estas coisas diz o santo, o verdadeiro, aquele que tem a chave de Davi, que abre, e ninguém fechará, e que fecha, e ninguém abrirá…

Ao anjo da igreja em Filadélfia escreve; Filadélfia é a mais nova entre as sete cidades citadas nestes primeiros capítulos do Apocalipse, ela foi fundada no segundo século a.C. pelo rei de Pérgamo, Átalo. Seu nome quer dizer “amor fraternal”. Ela estava localizada num vale na estrada entre Pérgamo e Laodicéia.

Consta que a cidade foi destruída por um terremoto no ano 17 d.C e foi reconstruída com a ajuda do imperador Tibério.

Ela em alguns momentos recebeu nomes de acordo com o interesse de algumas autoridades romanas. Assim, foi chamada por um tempo, após sua reconstrução de Neocesaréia. Emmanuel cita rapidamente uma cidade com este nome no livro Ave Cristo2, não sabemos se é a mesma, pois a ocorrência no romance psicografado por Chico Xavier se deu no terceiro século da era cristã. Durante o reinado de Vespasiano, ela foi chamada de Flávia, que era o nome da mulher dele e a forma feminina do nome deste imperador.

Estas coisas diz o santo, o verdadeiro; esta carta inicia de certa forma um pouco diferente das outras, pois o autor espiritual deste Apocalipse não se identifica com palavras já ditas no primeiro capítulo como fizera de outras vezes. Neste ele se mostra como sendo o santo, o verdadeiro. Sendo assim, as coisas ditas por Ele, devem ser por nós ouvidas com total atenção; elas nos trazem significativa revelação para toda nossa vida e a possibilidade, se vivenciadas, do perfeito ajuste consciencial.

A palavra santo é usada na Bíblia de formas diversas. Às vezes ela se refere a todos aqueles que entregam suas vidas ao serviço de Deus, são assim, separados para as questões espirituais e agem sempre em conexão com o Eterno. Noutros lugares refere-se simplesmente a Deus como sendo o Santo e Todo Poderoso.

Neste versículo o citado como Santo é o Cristo, Ele é Santo e Verdadeiro expressando Sua Fidelidade a Deus. Ele se fez assim, obedecendo aos Desígnios do Altíssimo integralmente. Deste modo tornou-Se Puro, Limpo, operando em conexão ampla com o Criador.

O Evangelho nos mostra a identificação daquele que o vive com fidelidade, tornando-se uma Nova Criatura, com o próprio Cristo. A Doutrina Espírita nos explica que isto é possível através da Lei de Evolução em que iniciando nossa trajetória como “simples e ignorantes” tornamo-nos puros, santos e verdadeiros com o aperfeiçoamento que consuma todo o processo. Somos assim, santos em gestação, porém, em nosso Orbe, só Jesus é o Santo por excelência.

aquele que tem a chave de Davi; esta é uma expressão usada por Isaías3 dentro do contexto de seu tempo, porém numa clara visão profética em relação ao Messias.

Davi foi o grande rei de Israel, aquele que unificou todas as tribos e possibilitou um período de grande prosperidade para a nação dos hebreus.

O Messias de forma mais ampla, e para sempre, faria o mesmo, unificaria todo Israel de Deus em torno do Altíssimo, dando poder, glória e prosperidade para todos que O tivessem como pastor.

A revelação se amplia na medida em que aprendemos que por Israel devemos entender toda humanidade e o reinado do Cristo como eterno. Será a nossa adesão ampla ao Evangelho através de sua aplicação em nossas vidas.

A chave representa o poder de abrir a porta para esta nova realidade.

Paulo nos escreve em Colossenses dizendo que a “palavra do Cristo” deveria habitar abundantemente em nós com sabedoria4. E em outro ponto da mesma carta que nós orássemos para que Deus nos abrisse a “porta” da palavra a fim de que pudéssemos falar dos mistérios de Cristo5.

Assim, ele mostra-nos que a palavra do Cristo seria reveladora de verdades que nos trariam a libertação nos descortinando uma nova realidade. Seria ela o fundamento da Nova Criação que todos devemos realizar a fim de nos resgatarmos de nossas transgressões.

A ideia aqui do Apocalipse é a mesma, a chave que nos dá o poder desta nova realidade é a vivência de Cristo, que Segundo o próprio João Evangelista é o Verbo que se corporificou6.

Autenticando ainda mais a profecia de Isaías como messiânica, nosso texto ainda nos revela que o detentor desta chave, o Santo, o Verdadeiro, Ele é o que tem poder de usar esta chave, pois ela é a que abre, e ninguém fechará, e que fecha, e ninguém abrirá… ou seja, trata-se de uma poder presente e que não se extinguirá nem hoje e nem no futuro, ninguém fechará ou abrirá…

Por “abrir” e “fechar” aqui devemos compreender a capacidade de vincular e desvincular de processos. Tudo em nossa vida está ligado a isto.

Quando optamos por uma transgressão à Lei, e este é o símbolo da queda, que de certo modo todos vinculados ao nosso estágio evolutivo passamos, nos desvinculamos de Deus e nos vinculamos a um processo de recomposição de grandes dores. Jesus através de Seu Evangelho nos dá a chave que nos permite vincular a Deus nos desvinculando das negatividades.

Esta chave, e a possibilidade de abrir e fechar processos, é dada pela autoridade moral que só o santo tem.

O que o texto quer nos dizer é justamente sobre esta necessidade de realizarmos nossa santificação através das linhas direcionadoras do Cristo.

E aqui faz-se importante observar uma colocação sutil, mas de grande importância, contida na revelação de Isaías. A de que a chave seria colocada nos “seus ombros”, isto é, do Messias; ou seja, entre o coração e o cérebro, definindo que seria uma conquista realizada por ações em que fosse levado em conta a harmonia entre sentimento e razão, que são as duas asas a nos projetarem à angelitude se devidamente equilibradas.

Denota ainda uma capacidade de discernimento de saber quando devemos abrir ou quando fechar, se é hora de vincular ou de desvincular. Uma coisa está sempre relacionada a outra, as limitações de nossa vida são muitas vezes portas que se fecham objetivando uma abertura mais ampla nos terrenos do espírito; uma vinculação deve ser sempre objetivando a desvinculação necessária e assim por diante.

Só de posse desta consciência dominaremos a situação e teremos esta chave que abre e ninguém fechará que fecha e ninguém abrirá, pois seremos de forma consciente os construtores de nossa libertação.

8 Conheço as tuas obras -- eis que tenho posto diante de ti uma porta aberta, a qual ninguém pode fechar -- que tens pouca força, entretanto, guardaste a minha palavra e não negaste o meu nome.

Conheço as tuas obras; frase sempre encontrada nas cartas e que nos diz da capacidade do Cristo de conhecer nossa conduta, nossa mente de forma geral, realizações e sentimentos. Como já foi referenciado ele sonda rins e corações.

Eis que tenho posto diante de ti uma porta aberta, a qual ninguém pode fechar; tenho posto, no presente baseado numa conduta e num progresso já efetivado. É o Cristo quem põe, pois ainda não realizamos nossa integração em Deus, Ele é ainda o Direcionador de nossa evolução, pois não estamos definitivamente no Pai.

Diante de ti, isto é, do indivíduo ajustado à Vontade do Alto. A observação é feita à igreja como uma individualidade dentro de um plano maior, mas toca à pessoa individualmente, aquela que por sua vez se acha no meio da comunidade. A evolução, os acertos e desacertos, as “bem aventuranças” ou as dores, são sempre individuais.

A porta aberta, a qual ninguém pode fechar, são as oportunidades a nós dadas pelo Cristo que aqui representa o plano operacional da Lei dando a cada um de acordo com seu merecimento na amplitude da Misericórdia Divina.

Quando algo nos é dado só no âmbito da Misericórdia como oportunidade de crescimento e reajuste, se não usarmos bem do favorecimento ele poderá nos ser tirado, todavia, quando se trata de conquista legítima do Espírito imortal, é uma porta aberta a qual ninguém pode fechar.

Deste modo, aprendemos que devemos agir em Nome de Jesus como Cristo, ou até mesmo dos Espíritos a Ele ajustados, todavia, quando por conquista passarmos a atuar consoante nossa Consciência já redimida e Cristificada, e em nome de Deus, o “Santo, Santo, Santo…” seremos detentores desta chave pela imortalidade.

que tens pouca força; esta expressão pode se referir a duas situações que estão de certa forma interligadas. Antes, é preciso lembrar que esta igreja, como a de Esmirna, foram as únicas que não foram chamadas atenção por suas transgressões, assim, esta pouca força não está dizendo de uma fraqueza espiritual.

Pode ser uma pouca força em relação ao mundo. A igreja estava inserida num contexto dentro da cidade que se situava na Ásia como província romana, portanto tinha limitações e dificuldades inerentes a este processo.

Podemos ver aqui também, e isto é o mais importante, uma pouca força no sentido de humildade, é quando há o reconhecimento da pequenez da individualidade em relação a Deus e Seus Desígnios, é quando se assume uma dependência construtiva em relação ao Criador. Neste passo passa-se a não mais medir forças e sim a tudo realizar em favor do Bem dentro da engrenagem maior que é a Seara dirigida pelo Cristo.

Podemos dizer que o Autor Espiritual do Apocalipse captou, a despeito da fraqueza material da comunidade, o seu coração integrado no Sentimento Divino.

entretanto, guardaste a minha palavra e não negaste o meu nome. Entretanto é uma conjunção que exprime oposição. Isto nos leva a crer que a “pouca força” referida anteriormente era no sentido de uma pouca capacidade de realização imediata em favor do mundo devido às suas vinculações negativas.

Todavia, a sequência do versículo nos diz ser verdade o que expusemos em relação a grandeza espiritual desta igreja pela atitude de humildade assumida.

Diante de todas as adversidades ela guardou a palavra do Cristo, isto é, fez de Seus ensinamentos o mais importante, e os vivenciou com fidelidade, não negando o Seu nome que é o conteúdo intrínseco da mensagem por Ele veiculada.

Provavelmente tratava-se de uma comunidade onde a simplicidade imperava; os Manuscritos do Evangelho deviam ali serem estudados de forma minuciosa, onde aqueles que tinham maiores capacidades, inclusive a possibilidade de ler que era rara naquele contexto, esmiuçavam e esclareciam sobre o valor espiritual da mensagem. No final das reuniões deveria haver além da fraternidade das relações, a alimentação singela e cheia de fluidos espirituais a nutrir também fisicamente aos mais necessitados frequentadores deste sarau espiritual.

9 Eis farei que alguns dos que são da sinagoga de Satanás, desses que a si mesmos se declaram judeus e não são, mas mentem, eis que os farei vir e prostrar-se aos teus pés e conhecer que eu te amo.

Eis farei que alguns dos que são da sinagoga de Satanás; temos aqui mais um item comum entre esta igreja e a de Esmirna, a do uso nesta carta tanto quanto naquela da expressão sinagoga de Satanás7 referenciando àqueles que encarnados e desencarnados se uniam opondo-se ao Cristo e ao Seu Evangelho.

Importante perceber que nos dois casos é destacado que eles se declaram judeus, mas não são, eles mentem.

Ora, muitas pessoas podem ser consideradas opositoras do Bem, todavia ao destacar os que se declaram judeus e não são, o autor desta revelação nos diz que estes é que são o perigo, pois podem mais facilmente nos induzir ao erro.

Por judeus, e aqui é importante ter isto em conta, não devemos compreender em sentido mais amplo os nascidos na Judeia ou em Israel, aqueles pertencentes a esta cultura ou religião, mas todos os que têm um conhecimento de espiritualidade e se dizem portadores de informação que os fazem espirituais ou religiosos independentes de sua crença ou escola filosófica. Nesta conceituação nós somos judeus; e se assim nos declaramos e efetivamente pelos sentimentos que formalizam nossas ações não nos fazemos dignos do que dizemos ser, mentimos, e pertencemos à categoria citada, os que são da sinagoga de Satanás. Não nos assustemos, é isto que diz e repete o texto. Temos que ter vigilância e cuidado para, mesmo sem querer, não estarmos sendo instrumentos destes que de há muito se opõem ao Bem de forma sistemática em nosso planeta.

eis que os farei vir; trata-se da atuação da Lei cumprindo seus desígnios colocando tudo no local devido. Nenhum mal perdurará para sempre, pois o Bem é a realidade eterna. A mentira é breve e jamais domina a verdade. No final tudo se acerta, se formos dóceis à Verdade Universal este acerto é natural, se em nós se manifestar rebeldia, ela do mesmo modo se cumprirá, todavia quando vier nos trará dores e aflições como forma de purificação de nossas ainda imperfeições.

e prostrar-se aos teus pés; esta expressão tem um significado de respeito, trata-se do ato de cair de joelhos em sinal de profunda reverência.

Mostra assim a superioridade daqueles que se ajustam a Deus e ao Seu Cristo, estes serão os verdadeiros vencedores e que serão finalmente como tal reconhecidos.

Importante aqui perceber que só alguns dos que são da sinagoga de Satanás, assim procederão. São os que já estão preparados para a conversão, são aqueles em quem o mal já começa a incomodar. A literatura mediúnica tem nos mostrado isto quando duma atuação dos Espíritos de Luz em missão de resgate numa região de trevas, nem todos são recolhidos por não estarem preparados, só os que pelo sentimento melhor se fizeram merecedores.

Deste modo, se prostrar diante dos Espiritualmente vencedores, não é sinal de humilhação, de derrota, é algo positivo, de evidência do preparo para assumir a vitória em Cristo que também pode se dar pela saturação do mal.

Ao contrário do que se dá no mundo prostrar-se aqui é princípio de libertação e não de escravidão.

e conhecer que eu te amo. Esta é uma declaração importante, a do reconhecimento do mundo de que o amor de Deus, aqui representado pelo do Cristo, é a todas as pessoas que viverem a Sua Mensagem, independente de sua classe social ou credo. Não que ele não ame todas inclusive as que não O conhecem, porém o Evangelho é claro os que adotam a prática do amor, abrem as comportas para receberem o amor de Deus e se sentirem amados. Os que não vibram nesta faixa superior não conseguem participarem deste agape.

Os que se dizem judeus e não são, são em realidade, mesmo que de fachada não sejam, gentios. Eram os poderosos, os de classe social superior; podem simbolizar também os que dominam intelectualmente.

Os que seguem o Cristo, demonstram normalmente “pouca força”, porém a têm grande no sentido espiritual. Ao dizer que ama a estes, que são os humildes, os derrotados pelo mundo, os considerados sem sorte, Ele define o caráter universalista de Sua mensagem. Àquele tempo os judeus achavam que só eles eram amados por Deus, o povo escolhido; os gentios, principalmente os de classe abastada, pensavam que os deuses por sua vez só amassem os de classe social superior. O que o Apocalipse nos revela? Que não é assim, que o Cristo ama, isto é, os que estão preparados para receber Seu amor, são justamente os menos favorecidos, os que aparentam ter pouca força, mas que compreenderam e vivenciam o verbo amar tendo assim, a Força Universal a seu favor a ponto de serem reverenciado como os detentores do amor de Deus.

Por isso dizemos e repetimos, o Apocalipse não é um livro de tragédias, mas é a Síntese da Boa Notícia de Deus para o homem de que vivenciar o amor compensa e que todos que assim fizerem serão recompensados com a Bem Aventurança do Amor de Deus que fará com que reine a Justiça Universal.

10 Porque guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te guardarei da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para experimentar os que habitam sobre a terra.

Porque guardaste a palavra da minha perseverança; a palavra guardar, no contexto, significa observar, experimentar, viver a palavra, estar de posse dela; e também atender cuidadosamente, tomar conta.

O autor do Apocalipse dentro do estilo da literatura hebraica vai explorar todos estes significados no versículo em questão.

Neste primeiro passo ele faz menção aos que guardaram a palavra do Senhor, isto é, a observaram, a viveram. Trata-se do Evangelho na prática do dia a dia. É o que devemos buscar e o que tem sido nosso desafio.

E ele completa guardaste… na minha perseverança, ou seja, não se desviaram dela mesmo nos momentos de provações. O que pressupõe também paciência, firmeza, constância nos objetivos superiores.

O tema é de grande atualidade, pois em todas as épocas da humanidade temos tido a oportunidade de demonstrarmos a quem temos sido fiéis. Nossas dores e angústias têm justamente se dado devido à má escolha de o que ou a quem seguir com lealdade.

Portanto, todo aquele que me confessar diante dos homens, também eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus; mas aquele que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante de meu Pai, que está nos céus.8

também eu te guardarei; neste segundo movimento temos a confirmação da fidelidade do Cristo aos que lhe têm fé e a operacionalizam.

A estes Ele guardará, isto é, tomará conta, atenderá cuidadosamente. Teremos Dele todo carinho e afeição; proteção nos momentos que mais necessitarmos.

Aqui é importante esclarecer que Jesus assim fará não no sentido de troca de favor como é comum em nossa mentalidade mesquinha; Ele, em verdade, toma conta e atende à necessidade de todos, pois ama indistintamente. Nós é que quando somos fiéis e nos mantemos na Boa Palavra criamos condições em nós de sermos protegidos, amparados e cuidados quando dos momentos difíceis inerentes a todos devido ao encaminhamento evolutivo.

Quando andamos na Lei favorecemos para que ela atue em nosso favor. Este é um dos mecanismos da própria Lei atuar. A Perfeição do Criador assim fez para nos ensinar sempre que em Sua contabilidade só existem ganhos, a perda fica por conta de quem não anda em Seus caminhos.

da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro; nosso autor aqui realiza uma profecia, a de que virão momentos difíceis, provacionais. Ele estava no “tempo” de Deus, portanto tinha acesso a estes acontecimentos por vir, porque eles já haviam sido gravados na consciência coletiva da humanidade e que no momento preciso de acordo com a necessidade individual ou do grupo, se manifestariam.

Haverá uma hora da provação, que não deve ser entendida como uma vingança de Deus, mas como oportunidade de crescimento e de teste para verificação do aprendizado.

É preciso compreender o caráter didático da vida. Tudo se desenvolve favorecendo ao nosso aprendizado e educação espiritual, todos os eventos concorrem para que isto se dê na intimidade da criatura. Assim, as dificuldades e limitações, que as detestamos nesta fase de inconsciência por que passamos, são instrutoras fiéis enviadas por nosso Pai para ensinar-nos o Seu caminho, ao mesmo tempo que provam se tendo aprendido não precisamos mais da lição que só é ministrada a alunos ainda dela necessitados.

Ser guardado destes momentos não deve ser compreendido como não passar por eles, já que são necessários ao aperfeiçoamento, mas como passá-los protegidos e orientados pelo Cristo que foi o que fizeram por merecer os que a Ele foram fiéis.

Quando o apóstolo dos gentios nos orienta a usarmos do escudo da fé e do capacete da salvação9 está dizendo que os ataques viriam, portanto que nos protegêssemos no Senhor.

A provação há de vir sobre o mundo inteiro, pois como dissemos é necessária como instrumento didático, o que distingue aquele que está com Jesus é o modo com que ele passa por ela, se como elemento do “mundo”, ou como quem já está preparado para o deixar em favor do Reino. Seu objetivo confirma a Revelação é:

para experimentar os que habitam sobre a terra, pois sendo esta ambiente de Espíritos imperfeitos, estes ainda estão sujeitos a necessidades de purificação.

11 Venho sem demora. Conserva o que tens, para que ninguém tome a tua coroa.

Venho sem demora. Isto é, logo. Significa esta a segunda vinda de Jesus, que para os de Filadélfia seria em breve devido a estes já estarem preparados, e ajustados ao Bem, para recebê-Lo em seus corações.

Se para outras comunidades esta vinda poderia trazer angústia, para esta está traria conforto e alívio, pois eles já pautavam, em suas condutas, com simplicidade, o serviço do Senhor.

Isto confirma o que temos dito sobre esta volta do Cristo em definitivo, que ela será individual, no momento em que houver preparo por parte do Espírito e será na intimidade de cada um como um coroamento de seu processo evolutivo.

Conserva o que tens; seriam as conquistas realizadas na esfera do Espírito. Ou seja, as virtudes.

É diferente o que “temos” do que detemos. Por isto dizemos de vincular e desvincular. Devemos vincular para desvincular; deter é necessário para ter, porém precisamos aprender a dispor.

Expliquemos melhor. A vida nos concede a oportunidade de determos coisas, posições, situações, com o objetivo de conquistarmos valores definitivos para o nosso Ser imortal. Assim, vinculamos detendo, precisamos aprender a desvincular para conquistarmos em definitivo o valor necessário. Estes são os que efetivamente “temos” ou que deveremos “ter” e que não podem nos ser tomados.

Quando o Anjo de Deus diz conserva o que tens, está a dizer aos de Filadélfia, como a todos nós, para permanecerem no caminho das conquistas espirituais mantendo-se nas já adquiridas como forma de possuir ainda outras.

Nos fala também, assim, que a perseverança é uma forma de fixar a virtude em nós até que ela definitivamente se torne conquista. Aos daquela comunidade diz: para que ninguém tome a tua coroa.

Tua porque é de cada um, a da individualidade. Coroa significando a conquista estabelecida, a que ninguém mais pode tomar quando ela nos é dada por autoridade moral. É diferente das insígnias do mundo que temos hoje e não mais amanhã.

Em nossa esfera de transitoriedade, luta-se pela coroa por que ela é dada só a um, o que detém o poder. No Reino de Deus esta luta é somente anterior à entrada nele por parte do Espírito, pois é um combate contra as próprias imperfeições; na Eternidade, há coroa para todos, quando a conquistamos ninguém mais deseja a nossa, pois cada um tem a sua própria na medida de suas realizações.

12 Ao vencedor, fá-lo-ei coluna no santuário do meu Deus, e daí jamais sairá; gravarei também sobre ele o nome do meu Deus, o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém que desce do céu, vinda da parte do meu Deus, e o meu novo nome.

Ao vencedor, fá-lo-ei coluna no santuário do meu Deus; como comentamos no início das abordagens desta carta, a cidade de Filadélfia teria sido abalada no tempo de Tibério com um forte terremoto que destruíra muitas de suas construções.

Contrapondo a esta situação o Autor espiritual do Apocalipse mostra-nos que a edificação daqueles que seguindo Suas orientações vencem o mundo e a si mesmo, são definitivas e não caem nunca, nem diante dos maiores terremotos que são as adversidades da vida.

Destarte, ao vencedor nestas condições, diz, fá-lo ei coluna, uma estrutura indestrutível, no templo de Deus.

Temos aqui mais uma alusão ao Antigo Testamento, mais especificamente ao livro Êxodo, melhor explicando a orientação dada em seu verdadeiro sentido. Lá temos:

Faze-me um santuário para que eu possa habitar no meio deles10

Durante toda sua história o povo hebreu, e nós também temos repetido isto, trabalhou e se esforçou para colocar em prática esta orientação de Deus preocupando-se com a estrutura material do Templo em que Ele iria morar. Chegou a construí-lo com grande suntuosidade, e após ele ser destruído o reconstruir ainda mais esplêndido. Ainda hoje chora no “muro das lamentações” a nova destruição da Casa de Deus.

Temos nesta Revelação que ora estudamos significativa orientação quanto à construção que o Pai aguarda de cada um de nós.

O Templo que Ele deseja morar e que pede que construamos é o do Santuário de nosso coração. Edificando-o com a verdade do amor provado nos desafios do dia a dia, nos tornaremos coluna no santuário do meu Deus, isto é no do Cristo, que O entende em Espírito e Verdade conforme orientação dada à mulher de Samaria11.

Seremos assim, também, “pedras vivas12” sustentando a nova comunidade de Cristo, porque não dizer no sentido de liderança, como em Paulo, colunas13 da igreja de Deus.

Este que assim fizer, que construir o Santuário em si mesmo, daí jamais sairá, pois terá reestabelecido a comunhão plena com Deus, o Pai e Criador de todas as coisas.

gravarei também sobre ele o nome do meu Deus; gravarei, isto é, escreverei. Simboliza uma marca ou uma posse que não será tirada.

O verdadeiro cristão, que é aquele que vive Cristo, que no dizer do apóstolo Paulo foi recriado Nele; este, que por sua vez escreve o Evangelho em sua vida, tem sobre ele o nome de Deus.

Era comum que o homem em Israel tivesse ao seu nome associado o do pai; assim temos: Simão filho de Jonas, Levi filho de Alfeu, Tiago filho de Zebedeu, Josué filho de Num, entre outros. Ter o nome de Deus escrito sobre si mesmo, é assim, sinal de ser filho de Deus o que significa autoridade espiritual, a condição do próprio Jesus.

A ideia se repete neste Apocalipse talvez tomada de Isaías.14

Ter sobre si o nome de Deus, é uma distinção que só os bem aventurados têm, significa que por uma conduta excepcional em termos de moral elevada, onde quer que vão levam o Nome de Seu Criador.

Assim se veem protegidos e amparados por Ele ao:

Sendo agredidos, perdoarem;

Odiados, amarem;

Sofrendo, realizarem todo Bem.

Portanto, ter o nome de Deus é recolher misericórdia, mas antes de tudo ser fiel a Ele realizando a Sua obra.

Interessante aqui observar neste verso, que sempre a Deus antecede o pronome meu dizendo do Pai na dimensão do Cristo. Ou seja, que aquele que edificar em si o Evangelho, não o livro, mas a conduta de Cristo, que é o que está em foco aqui, conhecerá o Pai de Jesus revelado só aos Espíritos superiores.

o nome da cidade do meu Deus; toda a Bíblia diz ser Jerusalém a cidade de Deus, ela era o centro das cogitações religiosas, era onde foi construído o Templo de Salomão, que no tempo do Apocalipse não mais existia, mas que na mente judaica jamais deixou de estar ali, mesmo que espiritualmente.

O Novo Testamento propõe uma “Jerusalém do Alto”, que segundo Paulo é livre, referindo-se a uma cidade espiritual, símbolo da Nova Aliança, e a “nossa mãe”15.

É provável que o Autor Sagrado se lembrasse do Salmo 46, que os da Igreja de Filadélfia conheciam, e como tinham em sua história recente a experiência de um terremoto, estava dentro do contexto; do vencedor Cristo faria coluna do Templo de Deus na Cidade Santa:

E por isso não tememos se a terra vacila,

Se as montanhas se abalam no seio do mar;

Se as águas do mar estrondem e fervem,

E com sua fúria estremecem os montes.

(IHWH dos Exércitos está conosco,

Nossa fortaleza é o Deus de Jacó!)

Há um rio, cujos braços alegram a cidade de Deus,

Santificando as moradas do Altíssimo.

Deus está em seu meio: ela é inabalável,

Deus a socorre ao romper da manhã…16

Ter em si o nome da cidade do meu Deus significa ter cidadania nela, é ter o direito de participar dela de forma ampla.

a nova Jerusalém que desce do céu; a nova Jerusalém é o símbolo da cidade espiritual em que habitará a humanidade harmonizada com Deus pela eternidade. Nos textos da Bíblia Hebraica já fora predita por Isaías17.

O autor de Hebreus contrapondo a capital de Israel de seu tempo com a futura, a espiritual, diz:

Porque não temos aqui cidade permanente, mas estamos à procura da cidade que está para vir.18

Interessante perceber que o texto do Médium de Patmos diz que ela desce do céu.

Isto significa não só que ela vem do Alto, de uma Espiritualidade superior, mas que ela já existe lá, como toda Criação Perfeita de Deus que é eterna.

Está somente aguardando que nós, seus habitantes do futuro, estejamos preparados para habitá-la.

Isto confirma que o mal, o desequilíbrio e o desajuste pertencem só ao mundo material e transitório. Em Deus o Bem e a Perfeição sempre existiram.

vinda da parte do meu Deus; a expressão confirma a anterior, que ela “desce do Céu”. Algumas versões em português dizem de “junto do meu Deus”, definindo que é expressão Dele, assim, plenamente espiritual, perfeita e harmonizada.

e o meu novo nome. Diz mais nosso autor, que o vencedor que seremos um dia terá o novo nome do Cristo.

Novo não é querendo dizer que ele irá mudar. Cristo é o mesmo ontem, hoje e será pela eternidade diz o texto das Escrituras19. Mas que nós, atingindo a condição de um Espírito Superior O veremos novo, pois em Seu real significado.

Podemos deduzir também daí, que todo aquele que consumar seu projeto evolutivo, o traçado por Deus como oportunidade de se recompor diante Dele, terá o nome do Senhor, isto é, será um Cristo, um Messias Divino.

13 Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.

 

 

1 Apocalipse, 3: 7 a 13

2 XAVIER, F.C. / Emmanuel (Espírito). Ave Cristo. Rio de Janeiro: FEB, 1953.2ª Parte, cap. 4.

3 Isaías, 22: 22

4 Colossenses, 3: 16

5 Idem, 4: 3

6 João, 1: 14

7 Cf. Apocalipse, 2: 9 e os nossos comentários a respeito.

8 Mateus, 10: 32 e 33

9 Efésios, 6: 16 e 17

10 Êxodo, 25: 8

11 João, 4: 24

12 Cf. I Pedro, 2: 5

13 Gálatas, 2: 9

14 Cf. Apocalipse, 2: 17; 14: 1; 19: 12 e 13; Isaías, 56: 5; 62: 2; 65: 15

15 Cf. Gálatas, 4: 26

16 Salmo 46, : 3 a 6 (a numeração dos versículos varia de acordo com a versão)

17 Isaías, 66

18 Hebreus, 13: 14

19 Hebreus, 13: 8

 


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