E o Verbo se Fez Carne - João, 1: 13 e 14

 

...os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus.

Neste verso João, o evangelista, nos informa sobre nossa origem divina. Fomos criados por Deus, viemos Dele. A primeira criação é totalmente espiritual; portanto, os espíritos originalmente não vieram do sangue nem da vontade carne aqui representando o universo material. O espírito1 não tem origem na matéria, esta é que poder ter, por um processo ainda incompreensível para nós, origem no espírito.

O princípio é o mesmo do fim. Viemos de Deus e a Ele vamos voltar através do, sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai, que está nos céus.2

Este versículo vem dar continuidade ao pensamento do autor de João exarado nos anteriores.

Nós humanos estamos em Deus como aliás toda a criação; todavia insistimos em não reconhecer nossa origem divina. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam.

Se ao contrário fizermos, ou seja, se pautarmos nossa vida tendo como base a Lei de Deus e seus desígnios superiores, se analisarmos as circunstâncias de nossa vida pelo prisma do Espírito imortal, realizaremos em nós o poder de nos tornarmos filhos de Deus.

Neste versículo agora analisado fecha-se o ensinamento. Tudo isso acontece deste modo, por sermos originalmente espíritos, e nos movermos em um Universo regido pela superior Lei de Deus. Por estarmos aprisionados na matéria há milênios, criamos em nós um psiquismo material que nos ilude e confunde. Não somos um ser materializado que eventualmente deve cultivar as questões espirituais, somos sim espíritos que eventualmente se encarnam com o objetivo do progresso espiritual. Desta forma os valores do espírito devem sempre ser prioritários em nossa vida. Nosso modelo educacional deve primar por educar o Ser que continuará após o trespasse físico, e não em nos preparar para obter sucesso no mundo transitório; da mesma forma, nossa conduta deve nos projetar para conquistas espirituais e morais por serem essas definitivas, e verdadeiras conquistas do Ser imortal, conforme expressa o belíssimo texto anotado por Mateus:

Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam, nem roubam.3

Resta-nos para concluir analisar a expressão nem da vontade do varão, mas de Deus. Definido é aqui o limite de nossas possibilidades diante da grandeza do Criador. Podemos dominar no campo material vários recursos, todavia não esqueçamos ser o andamento do Universo físico determinado pelo espiritual, e a Vontade de Deus soberana em todas as situações. Podemos sim se nos ajustarmos a esta Vontade Superior alcançarmos também poder sobre as questões espirituais definido na expressão serem feitos filhos de Deus, mas jamais devemos esquecer que temos por limite a perfeição relativa à nossa posição na hierarquia cósmica, quando Deus é o Uno que se faz presente e atuante em todo o Versus.

E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.

Neste passo o evangelista fala-nos sobre a encarnação de Jesus.

Nos primeiros movimentos quando ele fala sobre o Verbo, comentamos que se tratava da Palavra Criadora, ou do Poder Criador de Deus.

Neste verso diz ele: e o verbo se fez carne.

Já comentamos, Jesus é um Cristo, um Messias divino. Devido a sua posição elevadíssima na hierarquia espiritual, Ele, que se fez perfeito, adquiriu a condição de se fazer um Plenipotenciário Divino em nosso orbe. Ele é, na linguagem dos Espíritos superiores, o Governador Espiritual do planeta. É o que André Luiz chamou de Co-criador em plano maior.

Assim, podemos dizer que ele incorporou o “poder criador” de Deus em nosso planeta. Na realidade Ele não é Criador, mas construtor de orbe.

Dito isto fica mais fácil compreender que em Jesus o verbo se fez carne. Conforme expressão de Emmanuel, relativo ao nosso orbe Ele é o Verbo do princípio.

Historicamente Jesus encarnou entre os homens de nosso mundo há dois mil anos, Ele habitou entre nós. Este é um evento possível, o da encarnação de um Espírito Puro, porém raríssimo e ainda incompreensível para nós quanto aos mecanismos deste processo encarnatório

Ao narrar este fato o Evangelista volta a dizer sobre a encarnação, mostrando-nos a oportunidade de termos entre nós um Cristo.

Sociologicamente, e mesmo no plano psíquico e moral do homem, podemos dizer que esta encarnação significa um avanço de milênios. Será que conseguimos pensar em quanto tempo levaríamos para fazer a evolução que fizemos nestes últimos dois mil anos, se Ele, Jesus, não tivesse encarnado?

Assim, podemos continuar fazendo nossas reflexões, e pensarmos: em nosso planeta Jesus encarnou, e em nosso mundo interior, será que ele já habita entre nós? Se não, quanto tempo será que ainda vai demorar esta “materialização” do Cristo em nós? É Assunto para continuarmos pensando...

E Vimos a sua Glória, como a Glória do Unigênito do Pai; Jesus nos ensinou que o Pai é glorificado no Filho:

Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas, porque eu vou para meu Pai. E tudo quanto pedirdes em meu nome eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. (João 14:12-13)

Aprendemos assim, que as realizações de Jesus glorificam o Pai.

O Pai, que é Deus, representa o plano irradiador, o projeto, o plano conceptual. A encarnação do Verbo é a realização do projeto, ou seja, é o plano operacional. Por isso o que o Filho faz glorifica o Pai. Compreendemos deste modo, porque vimos a Glória do Cristo. Ele é o plano operacional de Deus.

Trazendo esta conceituação para o nosso dia a dia, o que é o objetivo de estudarmos o Evangelho, dizemos que toda vez que assimilamos um pensamento-virtude do Alto e operacionalizamos em nossa vida ficando o valor em nós como virtude sublimada (conquista moral), o Verbo se faz carne em nós e sentimos Sua glória como a Glória do Unigênito.

Unigênito em português quer dizer “único gerado”. Em grego temos “monogenes” que tem duas definições importantes. A primeira diz respeito a "ser o único de seu tipo dentro de um relacionamento específico." A segunda definição diz respeito a "ser o único de sua espécie ou classe, único no gênero."

Estas definições estão em pleno acordo com o que a Doutrina Espírita nos ensina a respeito de Jesus. Ele alcançou uma evolução espiritual que em nosso planeta é unica, só ele é um Cristo em grau supremo, só Ele atingiu o ponto máximo da escala espírita se fazendo um Espírito Puro. Assim, só Ele tem um tipo de relacionamento mais íntimo com Deus, pois está em Plena Comunhão com Ele. Ele, Jesus, é o único deste gênero.

Isto é o que compreendemos como significado da expressão “Filho Unigênito” em relação a Jesus.

E o evangelista continua: cheio de graça e de verdade. Graça é uma palavra que nos diz da ”presença de Deus”. É o peso da presença dEle.

O que faz com que Deus esteja em nós? As virtudes que já alcançamos.

Portanto, neste contexto, a graça representa a soma de todas as virtudes. Jesus por ser Espírito Puro já alcançou todas as virtudes possíveis de serem compreendidas por nossa forma mental, aliás, Ele já transcendeu nosso entendimento, daí podermos dizer que Ele é cheio de graça.

Verdade; esta é outra expressão difícil de explicar, pois de acordo com nossa possibilidade evolutiva, existem várias “verdades”; porém, no plano do Espírito Puro, que é o Plano de Deus, só há uma verdade: Deus é esta Verdade, o Amor é esta Verdade, a Lei é a Verdade compreensível dentro da mecânica universal.

Jesus já se integrou em Deus, o que quer dizer que Ele já participa da Unidade Divina:

Eu e o Pai Somos um. (João, 10: 30)

Eu sou o caminho, a verdade, e a vida. (João, 14: 6)

Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste. (João 17:21)

Concluímos, portanto, que Jesus já assimilou em si a própria verdade a ponto de poder dizer ser a própria verdade, o que autoriza o autor do Quarto Evangelho dizer:

Ele é cheio de graça e de verdade.

1 É preciso como fez Kardec distinguir espírito (elemento inteligente do Universo), dos espíritos (seres inteligentes da criação). A palavra é a mesma, mas o sentido é diferente.

2 Mateus, 5: 48.

3 Mateus, 6: 20

 


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