Carta Aos Hebreus

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Muitas vezes e de modos diversos falou Deus, outrora, aos Pais pelos profetas; agora, nestes dias que são os últimos, falou-nos por meio do Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, e pelo qual fez os séculos. É ele o resplendor de sua glória e a expressão do seu ser; sustenta o universo com o poder de sua palavra; e depois de ter realizado a purificação dos pecados, sentou-se nas alturas à direita da Majestade, tão superior aos anjos quanto o nome que herdou excede o deles.1

A Epístola aos Hebreus é um dos documentos mais fecundos de todo Novo Testamento, apesar disto nenhum deles é tão problemático no que diz respeito a análise sobre sua autoria, sobre quando foi escrito, onde e para quem. Isto para citar somente algumas das dificuldades que encontram os estudiosos desta valiosa carta.

Sobre o seu autor desde os tempos dos Pais da Igreja têm-se duvidas sobre quem seria, a ponto de, segundo Euzébio, Orígenes ter dito que só Deus sabe quem escreveu esta epístola. Outros dizem que o autor de Hebreus é como Melquisedec, sem pai, sem mãe, e sem genealogia, tudo isto para confirmar o estado de indefinição sobre quem a teria escrito.

É quase unanimidade entre aqueles que se têm ocupado com a análise deste texto que ele não é de Paulo.

Os que defendem esta ideia têm argumentos muito sólidos. Falam de um estilo e uma linguagem completamente diferente das epístolas anteriores do apóstolo dos gentios, de um grego muito superior ao comumente usado pelo autor de Gálatas. Isto para citar apenas algumas dificuldades em se estabelecer o autor que uns pensam ser Barnabé, Lucas, Apolo, Prisca, Áquila ou outro de uma lista ainda maior.

Quanto ao lugar em que foi escrita a dificuldade em localizá-lo não é menor. O mais comum é aceitar Roma, todavia há-se a hipótese de Jerusalém e até mesmo Alexandria. A data da redação mais aceita é entre os anos 60 e 70 de nossa era, entretanto alguns eruditos pensam que pode ir até o ano 90 a possibilidade de sua origem.

Até mesmo quanto aos destinatários os estudiosos têm dúvidas apesar do título Aos Hebreus, e de seu conteudo que e claramente dirigido aos judeus. É que este título não fazia parte do documento original segundo alguns que se dedicaram a estudar este texto.

Muitos outros pontos poderiam ser analisados a respeito desta carta como literatura, entretanto este não é nosso objetivo, que sempre é o de saber o que verdadeiramente este texto pode nos ajudar em nosso aperfeiçoamento moral, de como podemos aplicar seus ensinamentos em nossa vida diária atingindo assim o objetivo de nossa encarnação.

Só para findar estes breves comentários, e isso não pode deixar de ser dito e levado em conta para nós que interpretamos o Evangelho pela ótica Kardequiana, Emmanuel, através da psicografia de Francisco Cândido Xavier, no Livro Paulo e Estevão2, dá-nos importantes informações sobre os temas que comentamos. Segundo este autor espiritual, Hebreus foi escrita por Paulo, e diz mais, foi talvez a única toda escrita por Ele de próprio punho; que ele foi visto muitas vezes escrevendo em lágrimas. E que foi dirigida aos seus irmãos de raça e que foi grafada enquanto estava preso em Roma entre os anos 61 e 63.

Diz sim, que ela tinha um estilo singular e ideias grandiosas e incomuns, mas era mesmo de autoria do grande apóstolo converso às portas de Damasco.

Sendo assim, na continuidade de nossos estudos vamos considerar que Paulo é o autor de Hebreus, independente de ser esta ou não a realidade aceita pelos eruditos modernos. Não desconsideramos suas razões, mas se assim fazemos é porque se ninguém sabe qual é a realidade preferimos seguir o lúcido e bem informado guia de Chico Xavier; e por considerar que se ele foi o Espírito destacado pelo próprio Espírito de Verdade para ser o responsável pela orientação da obra deste valioso médium encarregado de evangelizar o Brasil e consequentemente o mundo pelas diretrizes do Cristianismo Redivivo, achamos que ele tem autoridade sobre este assunto e sobre qualquer outro de natureza evangélico-moral.

Muitas vezes e de modos diversos falou Deus, outrora, aos Pais pelos profetas

Muitas vezes e de modos diversos falou Deus; em grego as palavras polumeros - muitas vezes - e polutropos - de modos diversos -, são sinônimas, ambas querem dizer “de muitas maneiras”. Trata-se de um estilo do autor de dar ênfase à ideia que expõe, isto é habitual em Paulo e também na literatura hebraica de um modo geral.

O autor prepara aqui seus leitores para a informação principal que quer dar e que está no próximo versículo. Apesar de considerar que ele aqui se refere aos profetas do povo hebreu, não podemos deixar de dizer que Israel hoje deve ser entendida por nós na análise dos textos bíblicos como toda humanidade que caminha para Deus; assim não podemos deixar de ver nestas palavras a Misericórdia de Deus que sempre deu revelações importantes a todos os povos, várias vezes, e de diversos modos.

Todos somos filhos amados do Criador de todas as coisas; assim, Buda, Lao Tsé, Moisés, Sócrates, Isaías, Jeremias, Oséias, Maomé, são todos enviados do Senhor para orientar povos em graus distintos de evolução.

Fo-Hi, os compiladores dos Vedas, Confúcio, Hermes, Pitágoras, Gautama, os seguidores dos mestres da antiguidade, todos foram mensageiros de sabedoria que, encarnando em ambientes diversos, trouxeram ao mundo a ideia de Deus e das leis morais a que os homens se devem submeter para a obtenção de todos os primores da evolução espiritual.3

Deus é a Fonte de todas as Revelações espirituais que têm por objetivo conduzir os homens a um estado moral mais elevado e de maior espiritualidade. Quando a humanidade está preparada Ele permite que Espíritos Superiores se dirijam a ela trazendo informações de relevância que podem auxiliá-la a desempenhar sua função. É através deles que Deus fala já que não podemos pensar que Ele por si mesmo tenha uma manifestação pessoal; Deus não é um Espírito, é a Alma do Universo se assim podemos nos expressar.

Isto aconteceu em todos os tempos, outrora, e poderá acontecer novamente sempre que Nosso Pai assim desejar.

aos Pais pelos profetas; é porque a carta é dirigida mais objetivamente a judeus, sejam eles judeus-cristãos ou não, que ele se expressa deste modo.

Ao dizer aos pais, se referia aos ancestrais do povo hebreu, aqueles que receberam as orientações dos profetas, e também aos patriarcas que sempre receberam de Deus orientações por meio dos Espíritos Dedicados que sempre estão a serviço do Criador.

Profetas, são todos que trouxeram revelações diretas de Deus ou de Seu Cristo em todas as épocas da humanidade. Aqui nosso autor se refere a todos, desde Abraão até o último que se manifestou com este caráter.

agora, nestes dias que são os últimos, falou-nos por meio do Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, e pelo qual fez os séculos.

agora, nestes dias que são os últimos; a ideia aqui é a de “plenitude dos tempos”, de “final dos tempos”, “final de ciclo”.

Segundo Champlin4 os rabinos dividiam o tempo em dois grandes períodos: a época presente e a era eterna ou vindoura.

A época presente incluía todo o tempo até a inauguração da era eterna que se seria quando houvesse o cumprimento dos propósitos divinos. O período anterior à vinda do Messias se dava na era presente, Sua vinda marcaria estes últimos dias; seria a preparação para o “mundo vindouro”, que seria o segundo período referido.

Também nós, de modo individual podemos dividir os tempos em dois grandes períodos: o anterior ao Cristo em nossa vida, e o período posterior em que já O interiorizamos e O exteriorizamos através de nossas atitudes renovadas.

Portanto, estes dias que são os últimos, não representam o fim do mundo, mas o término de uma era de ignorância, de trevas em nossa vida, uma era em que éramos dirigidos pelos valores do mundo sem a mínima preocupação com os fatores espirituais.

Acontece nestes dias que são os últimos, ou final de tempos, um período de transição, onde o Cristo vem e fala aos nossos corações; nós O reconhecemos, desejamos tê-Lo como guia, mas as nossas tendências negativas nos prendem à retaguarda. Neste momento é preciso ter decisão e fazer a opção correta, nos desvincularmos do passado e adotar o novo paradigma mental que é o do Evangelho. Só assim nos capacitaremos para deixar o mundo de sombras e adentrarmos na era vindoura que é de paz, harmonia, e realizações no Bem.

falou-nos por meio do Filho; este é o ápice deste primeiro movimento da epístola.

No verso anterior o autor lembrou que por muitas vezes e de muitas formas Deus já se revelou à Humanidade. Neste ele nos mostra que desta vez Ele revela por meio do Filho.

Aqui faz-se importante fazer algumas considerações. Na cultura judaica “Filho de Deus” quer dizer um ser Divino, daí a confusão que fizeram com Jesus como se ele fosse Deus. Toda teologia cristã anterior ao Espiritismo comete este erro por falta de maiores esclarecimentos. A Doutrina codificada por Kardec veio para corrigir algumas distorções entre as quais se acha esta.

Jesus-Cristo é sim um Ser diferente, acha-se em nível evolucional bem distante da Humanidade, porém não é Deus. É um Espírito Puro, um Messias Divino; mas trata-se de um Espírito Criado e que se fez Puro através das Eras em Mundos que já se perderam na poeira dos Sóis.

Assim, a natureza da revelação que vem por meio do Filho que é um Cristo, é diferente das anteriores.

Ela não existe só nas palavras que Ele proferiu e que os evangelistas anotaram, muitos dos enviados anteriores falaram também divinamente. Por Ele foi diferente, porque a Revelação estava Nele, era parte integrante de Sua pessoa; Ele é Um com o Pai porque se fez assim através de Seu aperfeiçoamento. Ele realizou a evolução possível de se realizar em Mundos materiais, mais do que isso não conseguimos dizer e nem compreender. É esta evolução que lhe dava autoridade para fazer o que fez. Quando ele falou que nós também poderíamos fazer tudo o que Ele fez, e fazer mais, nos revelou uma grande Lei que é a de evolução do Espírito, porém a distância para que estes acontecimentos se dessem era a de muitas eras, de milênios dentro de nossa dimensão tempo.

Assim compreendemos que a revelação de Jesus é uma revelação-de-Filho, que é Aquele que se fez Filho pela total identificação com os Propósitos do Pai, e uma de Suas revelações é exatamente esta que comentamos, a de que por meio Dele - Cristo - também poderíamos compartilhar desta revelação tornando-nos participantes do Reino e integrantes da Unidade Divina.

Deste modo aprendemos que a Revelação Cristã vai muito além dos documentos escritos que advieram da passagem de Jesus por entre nós e que outras podem ainda vir nos auxiliando a compreender todo este mecanismo divino de redenção das almas, porém com um aparte: todas que vierem depois, se vierem, como o Espiritismo veio como terceira revelação, terão de ser em plena harmonia com Ele, o Filho de Deus; virão também por meio Dele, como o Espiritismo, que é uma revelação orientada em planos mais altos de Espiritualidade pelo Espírito de Verdade que em última instância é o próprio Jesus.

a quem constituiu herdeiro de todas as coisas; por herdeiro devemos entender aquele que recebe a parte designada a ele por direito de filiação.

Neste passo é tratado de uma filiação divina, herdeiro de todas as coisas, entretanto, e por isso mesmo, devemos ver uma herança espiritual da qual Jesus só herdou por ter chegado à condição evolutiva a que chegou podendo assim cumprir a missão que lhe foi proposta pelo Pai.

Como herdeiro, e no caso de nosso planeta, herdeiro único, neste sentido de ser aquele que atingiu a condição de Cristo, Jesus tem procuração do Pai para em nome Dele atuar, e procuração com amplos poderes.

É neste sentido que devemos entender esta palavra herdeiro o que dá a Ele uma condição ativa como Espírito Co-criador, e uma condição de existência diferente das demais criaturas, por conquista conforme já comentamos.

Com a Revelação dos Espíritos aprendemos que cada mundo do Universo, cada planeta, cada Sol, cada Galáxia, tem o Seu Cristo, que é o Espírito responsável pela Governança Espiritual deste mundo. Assim quando é dito herdeiro de todas as coisas é em relação a este mundo que este Espírito como Construtor recebeu do Pai com a prerrogativa de encaminhá-lo à perfeição.

e pelo qual fez os séculos. “séculos” é uma tradução do grego aion que pode significar também “geração” dando uma ideia de tempo, mas também “mundos” dando ideia de espaço.

A teologia cristã aqui viu o Cristo como Criador mais uma vez confundindo-o com Deus. O Espiritismo com suas revelações nos posiciona melhor diante dos detalhes em que podemos distinguir Deus de Seu Cristo.

Deus é o Criador, só ele tem o poder de transformar a essência em existência, por isso o filósofo Huberto Rohden o nominou Creador.

Jesus não é Criador, mas Construtor, o que nós espíritas chamamos de Co-criador num plano maior conforme a definição do Espírito André Luiz5.

Jesus não Cria, ele faz, constrói a partir de substâncias já Criadas por Deus. Jesus opera diretamente na matéria o que Deus não faz conforme nos informam os Espíritos Codificadores6.

Estes detalhes têm grande importância. Deus Cria antes do “tempo”. Com a formação da matéria surgem as dimensões “tempo” e “espaço”, é aí que os Espíritos plenamente identificados com o Criador, os Cristos, começam operar na matéria cósmica criando os mundos. Por isto o autor bíblico inspirado pelo Espírito de Verdade diz: pelo qual fez os séculos; observemos que o verbo é “fazer” e não “criar”, e séculos justamente significando as dimensões “tempo” e “espaço” que só surgem a partir da existência dos mundos materiais.

É ele o resplendor de sua glória e a expressão do seu ser; sustenta o universo com o poder de sua palavra; e depois de ter realizado a purificação dos pecados, sentou-se nas alturas à direita da Majestade

É ele o resplendor de sua glória; resplendor” em seu significado original é “brilho refletido”, como dizendo que o Cristo reflete perfeitamente Deus, é a imagem perfeita Dele.

Neste ponto é importante fazermos uma relação com a criação do homem conforme a narrativa do Gênesis:

E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou7

O que nós compreendemos que Deus Criou o Espírito à Sua imagem, ou seja, Deus tira de Si o Espírito. Este no primeiro instante é a imagem mais perfeita possível do Criador, pois saiu Dele.

Após sua descida para a matéria o Espírito perde sua luminosidade inicial, seu resplendor, sua glória. É o que convencionamos chamar de “evolução descendente”, período que antecedeu à evolução ascendente que é a fase atual por que estamos passando e que conhecemos.

A evolução é justamente a caminhada de recuperação desta luminosidade, deste resplendor, desta posição no Seio de Deus. Neste sentido Jesus afirma:

resplandeça a vossa luz diante dos homens8

Se referindo à luz perdida pelo Espírito que é reconquistada pelo processo evolucional que realizamos entre os homens, isto é, em encarnações múltiplas em mundos físicos.

Jesus tornou-se Cristo, atingiu o máximo da evolução que podemos alcançar em termos de entendimento, ingressou na Unidade Divina e assim recuperou esta luz inicial que é o estado primário do Espírito.

Glória, do grego doxa tem mais ou menos o mesmo sentido: esplendor, brilho, excelência. É algo que pertence a Deus, que diz do peso de Sua Presença.

No contexto entendemos como a presença integral de Deus no Cristo. Deus está em toda Criação, entretanto quando a Criação já se fez perfeita, que é o caso de Cristo, esta está cheia da Presença Dele, O reflete em Toda Sua Grandeza.

e a expressão do seu ser; literalmente significa “a expressão exata de seu ser”, como a impressão de um carimbo. É uma metáfora para dizer da perfeita Unidade entre Deus e Seu Cristo. O símbolo é imperfeito em se tratando de seres que encontram-se em dimensões tão elevadas.

Temos aqui o conceito de logos também usado por João no início de seu Evangelho dizendo que Cristo é a expressão da Substância de Deus. Não é Deus, mas expressão exata Dele. Não temos condições de compreender o que é Deus ou vê-Lo, Jesus nos mostra o Pai da forma maior que podemos alcançar. Mais do que Jesus é, a nossa mente não alcança, a nossa psicologia não está preparada para entender.

É isto o que o autor de Hebreus quer dizer dentro deste estilo maravilhoso com que ele escreve.

sustenta o universo com o poder de sua palavra; há dois mil anos atrás não se tinha a ideia de Universo como a temos hoje. Assim o entendimento era o de tudo que era possível ver e saber. Tratava-se do planeta, do mundo material. Aliás, a tradução mais literal diz de sustentar “todas as coisas”, ou “o tudo” com o poder de sua palavra.

Deste modo, mais uma vez é necessário ver neste “universo”, ou “todas as coisas” como o possível de ser formado e construído pelos Espíritos Construtores.

Neste sentido Cristo é anterior ao mundo (planeta) pois é Ele o responsável por sua construção e por seu encaminhamento.

Segundo a tradição bíblica Deus Cria pela Palavra. A expressão e disse Deus é repetida várias vezes no início do Gênesis. Esta era a ideia que se tinha.

A literatura rabínica dizia que Deus sustentava todas as coisas tanto no céu como na terra, todo o mundo, com o Seu poder9.

Assim, nosso autor quer dizer que Deus deu a Cristo este poder, o de carregar, conduzir, levar consigo mesmo o “universo” dado a Ele para Guiar. Aliás estes são os melhores significados para o verbo grego phero.

e depois de ter realizado a purificação dos pecados; no idioma original de Hebreus pecado significa “errar ou desviar-se do caminho de retidão” “desviar ou violar a Lei de Deus”. O símbolo maior do pecado é a desobediência de Adão e Eva o que os separou da Ordem Divina os imergindo num mundo de dificuldades.

Esta foi uma experiência tão forte para a Humanidade de um modo geral que a raça humana por culpa acha-se impura, tendo assim, em seu psiquismo a necessidade de limpeza em relação à sua consciência. Talvez por isso a maioria das religiões têm em suas práticas rituais de purificação.

Deste modo compreendemos que, na Nova Ordem Cristã esta purificação passa pela reconstrução do destino e por uma volta aos caminhos do Senhor que nada mais é que a obediência à Sua Lei:

Bem-aventurado o varão que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes, tem o seu prazer na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite.10

O versículo nos diz, depois de ter realizado a purificação dos pecados…, referindo se a Jesus. Isto quer dizer que Ele através de Seu testemunho de amor mostrou-nos o caminho e como fazer para realizarmos a redenção e assim, a recomposição de nossa consciência; pois se Ele tivesse purificado os pecados de toda a Humanidade como prega o cristianismo tradicional, nós não teríamos mais em nosso psiquismo a culpa do “pecado original” que nada mais é do que a desobediência primária do Espírito e o seu afastamento de Deus.

Assim, ao realizar deste modo, ou seja, ao cumprir a totalidade de Sua missão Ele sentou-se nas alturas à direita da Majestade.

Este sentar-se denota o fim da missão, a tranquilidade, a paz daquele que cumpriu seu dever. É o descanso do “sétimo dia”. Em se tratando do Cristo trata-se de um descanso operacional:

Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também.11

Nas alturas à direita da Majestade é uma metáfora extraída da corte de um rei. Na antiguidade aquele que era o segundo em poder, o preferido, assentava-se à direita do rei. Com esta figura mais uma vez é distinguido o Cristo de Deus, pois o que assentava à direita não era o rei, mas o seu favorito. Cristo assenta-se à direita de Deus, apesar de ter todas as prerrogativas dadas pelo próprio Pai, não é propriamente Deus, mas Aquele que é o segundo em poder já que o Poder por excelência é Deus.

tão superior aos anjos quanto o nome que herdou excede o deles.

Os anjos têm papel importante na literatura judaica ora como mediadores, ora como intérpretes, como guardiões, etc.; como podemos depreender dos livros de vários profetas12. O próprio Paulo cita em Gálatas que no Sinai quando Moisés recebeu a Torah havia a presença deles13.

Para nós espíritas, os anjos são Espíritos superiores, que são aqueles que já atingiram um bom patamar na evolução, porém buscam aperfeiçoar-se cada vez mais. São superiores, mas ainda não perfeitos.

O que o nosso autor quer dizer aqui, é que Cristo, que é, como já dissemos, um Espírito Puro, está muito acima de qualquer dos anjos, mesmo do mais elevado que podemos conceber. Estes são muitas vezes assessores Dele, ministros de Seu Governo, porém sendo Nosso Senhor a Autoridade máxima em nosso orbe tão superior a tudo que podemos imaginar.

E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz. Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome; Para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, E toda a língua confesse que Jesus-Cristo é o SENHOR, para glória de Deus Pai.14

Sabemos que nome é uma palavra que designa uma classe de coisas, pessoas, animais, etc.15. Pode também designar autoridade.

Em Jesus-Cristo é o nome Cristo que designa Sua superioridade. Este nome que Ele herdou é que excede todos os nomes inclusive o de anjos e arcanjos.

Sendo que por “herdar” em matéria de conquista espiritual devemos sempre compreender que não é um recebimento gratuito, trata-se de uma conquista de um direito, do ato de se obter ou de se tornar participante da herança.

Portanto, Jesus conquistou esta prerrogativa através de um processo evolutivo natural que demandou tempo e esforço, obediência e sacrifício, mortes e renascimentos…

É uma evolução para nós incomensurável, porém realizada através de uma caminhada que fez de um filho de Deus, o Filho de Deus.

Se assim não fosse, como Ele iria se explicar diante de tantos que tanto sofrem, em existências múltiplas, para alcançarem o Reino, e assim herdarem o Nome de poder?

 

De fato, a qual dos anjos disse Deus jamais: Tu és meu filho, eu hoje te gerei? Ou ainda: Eu lhe serei Pai, e ele me será filho? E novamente, ao introduzir o Primogênito no mundo, diz: Adorem-no todos os anjos de Deus. A respeito dos anjos, porém, ele declara: Torna em vendavais os seus anjos, e em chama de fogo os seus ministros. Ao Filho, porém diz: o teu trono, ó Deus, é para os séculos dos séculos; o cetro da retidão é o cetro de sua realeza. E: amaste a justiça e odiaste a iniquidade, por isso, ó Deus, te ungiu o teu Deus com o óleo da alegria como a nenhum dos teus companheiros. Diz ainda: és tu, Senhor, que nas origens fundaste a terra; e os céus são obras de tuas mãos. Eles perecerão; tu, porém, permanecerás; todos hão de envelhecer como um vestido; e a todos enrolarás como um manto, e serão mudados como vestimenta. Tu, porém, és sempre o mesmo, e os teus anos jamais terão fim.

A qual dos anjos disse ele jamais: senta-te à minha direita, até que eu reduza os teus inimigos a escabelo dos teus pés? Porventura, não são todos eles espíritos servidores, enviados ao serviço dos que devem herdar a salvação?16

De fato, a qual dos anjos disse Deus jamais: Tu és meu filho, eu hoje te gerei? Ou ainda: Eu lhe serei Pai, e ele me será filho?

De fato, a qual dos anjos disse Deus jamais… Sobre os anjos comentamos no versículo anterior.

Como Deus diz à criatura? À intimidade de Seu coração.

Destarte, aprendemos que cada um houve a voz de Deus no íntimo de si mesmo, que é a consciência, de acordo com o despertar desta, ou com o seu estado evolucional, o que é a mesma coisa.

Deste modo, o que é dito a um Messias jamais é falado a seres comuns ou mesmo a anjos. Não que Deus não se revele a toda criação, mas a verdade é cada um percebe a revelação de acordo com a sua condição.

Tu és meu filho, eu hoje te gerei? Esta expressão foi retirada do Salmo, 2: 7 que é tido pelas tradições tanto judaica quanto cristã como um Salmo messiânico.

Paulo deveria se lembrar da cena do batismo de Jesus quando uma voz numa manifestação espiritual diz:

Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo17.

Ao dizer, dentro do simbolismo das Escrituras, Tu és meu filho, para um Espírito, é como se Deus confirmasse a este Espírito a recuperação de sua filiação divina por merecimento. É o fim de um ciclo mais amplo dentro da jornada evolutiva. O Espírito cumpriu o Desígnio Superior de Deus; recompôs-se.

Eu hoje te gerei… a palavra hoje tem sido aqui difícil de ser interpretada dentro da teologia tradicional, pois ela dá uma noção de tempo e de um momento da criação do Filho o que contradiz a ideia de Cristo como Deus tendo ele existência eterna.

Fazendo uso dos instrumentos de avaliação nos trazidos pela revelação espírita podemos fazer algumas considerações.

Não há condições de, em nosso estágio atual de evolução, compreendermos o princípio de tudo; nem como, e nem o momento em que Deus iniciou a Criação. Todavia, podemos saber pela lógica que fomos criados em algum momento, se assim não fosse seríamos como Deus que existe desde sempre.

O mesmo se dá com todos os Espíritos, até mesmo com os Cristos.

Esta expressão eu hoje te gerei diz, desta forma, que em algum momento houve um início.

Porém a situação não é tão simples assim. É preciso compreendermos que Deus sempre existiu e por nunca ter ficado ocioso Ele Cria sempre. Passamos melhor a entender tal fato se considerarmos que Ele Cria na eternidade, que é uma dimensão onde o tempo inexiste; ou seja, Deus é anterior ao tempo e cria antes dele. O que dá à Sua Criação, na dimensão de Deus, uma condição de eterno presente, pois para Deus, o passado e o futuro são o presente.18

Deste modo a criação dos Espíritos se dá num eterno presente, num hoje interminável. Sendo, portanto, possível conciliar as ideias de um momento inicial de criação e de eternidade para o Espírito.

Quando este pelo aperfeiçoamento se torna Espírito Puro, um Cristo, e se integra na Unidade Divina, ele recupera este estado de eternidade e passa a viver numa dimensão sem fim. Esta é a ideia de Vida Abundante e de Vida Eterna nos trazida por Jesus. Por nos faltar compreensão mais ampla é que em determinados momentos confundimos, assim, este estado de Espírito Puro como se Ele fosse o próprio Criador de todas as coisas.

Ou ainda: Eu lhe serei Pai, e ele me será filho? Mais uma vez temos aqui e que é amplamente repetido nesta carta, uma citação das antigas Escrituras. Neste passo é lembrado 2 Samuel, 7:14 que referindo-se a Davi dá uma conotação messiânica ao texto. Sob o ponto de vista humano, Jesus vem na linhagem de Davi. Entretanto o que nos importa aqui é o entendimento espiritual.

É o mesmo sentido da citação anterior, Eu lhe serei Pai, e ele me será filho é a concretização da plena da condição superior de Jesus como Cristo.

Deus é Pai de toda criação, entretanto, por termos nos distanciados Dele pela desobediência as Suas Leis é como se tivéssemos perdido a filiação o que cabe a cada um conquistar por meio da evolução. Esta é a mensagem bíblica da salvação. Assim, Deus é Pai, mas só conquistamos a filiação com respaldo da consciência quando aceitamo-Lo como tal.

Este é um texto amplamente consolador quando interpretado à luz da doutrina espírita, pois nos mostra Jesus como Irmão Maior sugerindo que a todos nós será dada a condição de nos tornarmos como Ele. Aliás, esta é uma das mensagens claras do Evangelho, a da participação do crente fiel na vida de Cristo.

E novamente, ao introduzir o Primogênito no mundo, diz: Adorem-no todos os anjos de Deus.

E novamente; esta é uma forma característica do autor introduzir uma nova citação bíblica, o grego palin, que às vezes é traduzido como “outra vez”, “ou ainda”, etc.

ao introduzir o Primogênito no mundo, diz; a palavra primogênito expressando a condição de Jesus como “filho mais velho” no sentido de o primeiro que atingiu a condição de Espírito puro e Cristo em relação ao nosso orbe. Ele é nosso Irmão maior, o que tem maior amadurecimento espiritual.

Ao usar a expressão ao introduzir o Primogênito no mundo é provável que o autor de Hebreus se lembrasse do nascimento de Jesus conforme a narrativa de Lucas, 2: 8 a 14, onde segundo este evangelista um exército celeste pôs-se a louvá-Lo dizendo:

Glória a Deus no mais alto dos céus e paz na terra aos homens que ele ama!19

Sendo que a ideia de introdução do primogênito no mundo faz também uma conexão com o pensamento judaico de era presente e mundo vindouro. A vinda de Jesus significando os últimos dias dentro de um processo maior e rigorosamente planejado pelo Pai de transformação do mundo num sentido coletivo, e de cada um de nós num plano individual, onde a introdução do primogênito em nosso mundo íntimo representa o momento em que optamos por deixar Jesus, através da vivência evangélica, dirigir as nossas vidas.

Adorem-no todos os anjos de Deus. Esta citação é retirada do Deuteronômio, 32: 43, porém segundo a Septuaginta, no original hebraico não encontramos este versículo; o que mostra que o texto grego das Escrituras era usado pelos seguidores de Jesus. Neste texto da versão dos Setenta é dito “filhos de Deus”. O autor de Hebreus viu ali os anjos de Deus definindo os Espíritos que já adotaram o Cristo como norteador de suas vidas e por isso, sendo-lhes superior era naturalmente adorado por eles. O objetivo do autor, como já dissemos, era mostrar a superioridade do Cristo Jesus.

Informa-nos O Livros dos Espíritos que a adoração está na lei natural, pois resulta de um sentimento inato no homem.20 É um sentimento íntimo da existência de Deus.

Cada um O adora na medida de sua condição evolucional. Há os que adoram ídolos ou coisas o que define um estado mais baixo ou mesmo de ausência de espiritualidade.

Adorar a Cristo é compreender que Ele no mundo em que vivemos é a representação maior da Divindade, é em última instância adorar o próprio Pai e Criador de Nosso Senhor Jesus-Cristo. Portanto, é lícito e devido a adoração ao Messias Divino.

Não podemos julgar nenhum tipo de adoração, já que aquele que assim faz, se sinceramente, o faz de acordo com sua posição evolutiva. A adoração é sempre um desejo daquele que assim faz de participar da vida daquele que adora.

Deste modo, adorar a Deus ou a Seu Cristo é participar da vida de Deus através de um ato de coração, com sinceridade, fazendo o bem e evitando o mal.21

A respeito dos anjos, porém, ele declara: Torna em vendavais os seus anjos, e em chama de fogo os seus ministros.

É importante aqui repetir a importância da didática do autor da carta, ele usa a todos os instantes as citações das Escrituras judaicas para mostrar aos hebreus que Jesus era o Messias predito por seus antepassados autorizados e reconhecidos como profetas.

Neste passo temos o Salmo, 104: 4. Mais uma vez Paulo usa de um artifício de interpretação das Escrituras já nos sinalizando quanto à importância do Estudo Minucioso das mesmas. Pois no Salmo original temos o hebraico ruwach que pode ser vento ou Espírito e que ele claramente entende como anjos que são os Espíritos de Deus já num plano maior de evolução.

Tanto no grego quanto no hebraico temos a mesma palavra significando vento ou espírito. Paulo faz um trocadilho a definir para seus os leitores o caráter de servidores destes Espíritos, pois estes mesmos Espíritos são os ministros do Criador, isto é, “servos”, no sentido de que a Ele servem.

Não que haja no entendimento do autor diferença entre anjos e ministros, aggelos e leitourgos, mas mostrando-nos o caráter destas entidades de estarem sempre a serviço da Governança Planetária, ora vento ora fogo. Ele joga com as palavras dizendo da mobilidade destes, da capacidade dos mesmos de sempre estarem sob a vontade de Entidades ainda maiores e superiores. “Vento” e “fogo” definindo dois estados a princípio opostos, mas em que manifestam-se conectados com a Vontade de Deus agindo em nome Dele dando utilidade a tudo que fizerem.

Assim aprendemos que quanto mais evoluído é o Espírito mais ele está em conexão com Deus e mais ele trabalha servindo ao Pai de toda criação.

São, conforme citação de O Livro dos Espíritos agentes dedicados que O auxiliam em todos os graus da escala dos mundos.22

Ao Filho, porém diz: o teu trono, ó Deus, é para os séculos dos séculos; o cetro da retidão é o cetro de sua realeza.

Ao Filho, porém diz: o teu trono, ó Deus; muitos têm visto aqui a divindade de Jesus, pois o autor de Hebreus se refere a Ele como Deus: teu trono, ó Deus.

Aqui se faz importante explicar que a melhor tradução para o Salmo, 45: 7 que é aqui citado é: “Teu trono é de Deus” o que dá um sentido bem diferente do anteriormente proposto.

Já disse alguém que “um texto sem contexto é pretexto”. E nós podemos afirmar com toda certeza que no contexto da cultura judaica, jamais o salmista pensou o Messias como sendo Deus. E podemos dizer o mesmo do autor de Hebreus seja ele Paulo ou quem quer que seja; no primeiro século de nossa era não se tinha a ideia de que o Messias Jesus fosse o próprio Deus.

Assim, devemos entender que o Reino do Cristo é em última instância o Reino de Deus; como no Apocalipse, 22: 1 é o mesmo o “Reino” de Deus e o do Cordeiro; o Primeiro – Cristo - é o Servidor Perfeito do Segundo – Deus -, Sua Imagem Perfeita, em pleno uníssono, o que nossa mente ainda involuída não consegue às vezes compreender bem. Um é Pai, o outro Filho; um Criador, o outro Criatura que se fez Perfeita e Pura.

é para os séculos dos séculos; em grego aion, uma expressão que dá o sentido de eternidade, de um tempo perpétuo, para sempre.

Como o Trono é de Deus, significando o Seu Reino, mesmo que aqui o autor se refira a Cristo como sendo o Rei, é Eterno este Reino de perfeição e harmonia. Ele iniciou antes do tempo na Criação original e continuará após ele quando da volta do Espírito à Unidade Divina em Espírito. É o fim se tornando o mesmo que o início.

o cetro da retidão é o cetro de sua realeza. Cetro, sinal distintivo que expressa poder, dignidade, comando. Era usado pelos reis na mão direita. O autor quer mostrar que o Rei Messias teria como definidor de Seu Poder e Autoridade, a retidão, a justiça, a equidade.

Em momento algum é dito que seria um Reino de violência, de subjugação de uns em favor de outros; mas de dar a cada um o que é seu em matéria de uma consciência pura e sem contaminação com o que fosse oposição a Deus.

Se queremos participar deste Reino Glorioso do Messias, devemos a Ele estar ajustado mental e espiritualmente através de atitudes dignas e respaldadas pela Lei Superior que é Amor que se expressa pelo serviço incessante e desinteressando em favor de todos.

Essa é a ideia do autor de Hebreus como de todos que compreenderam a mensagem do Evangelho. O Reino do Senhor é espiritual e a túnica nupcial que será o distintivo para que o Espírito Nele esteja, é a da pureza, da justiça, da retidão; do sentimento renovado em bases de um Evangelho amplamente vivido.

E: amaste a justiça e odiaste a iniquidade, por isso, ó Deus, te ungiu o teu Deus com o óleo da alegria como a nenhum dos teus companheiros.

E: amaste a justiça e odiaste a iniquidade; é a mesma ideia anterior e também expressa nos Salmos, 89: 14; 97: 2; e em Isaías, 9: 6.23

O importante para nós nos dias de hoje quando buscamos estudar estes valiosos textos compromissados com nossa transformação moral é aprendermos que a nova ética, a ética cristã, é fundamentada numa justiça ampla, completa, sem reservas.

O governo só pode ser corretamente efetuado na santidade, na retidão, na firmeza e na equidade de propósitos morais.24

E que por meio do Evangelho vivenciado podemos participar desta vida de Cristo.

por isso, ó Deus; os manuscritos originais das Escrituras bíblicas eram com todas as letras escritas em maiúsculas, sem separação, e sem nenhuma pontuação. Isto fez com que os primeiros estudiosos e tradutores dos textos interferissem na ideia original dos autores expressando pensamentos que muitas vezes não eram os do autor, mas destes últimos. Daí a necessidade de estudar cada vez mais, pesquisar e conhecer o contexto em que estes textos foram escritos.

Este versículo mostra-nos claramente isto. Apresentamos uma tradução da Bíblia de Jerusalém, que diga-se de passagem é uma boa tradução. Vejamos um ponto apenas:

por isso, ó Deus, te ungiu o teu Deus com o óleo da alegria…

Agora, pontuemos a mesmas palavras de forma diferente, dizendo apenas que muitos estudiosos não aceitam que tenhamos aqui um vocativo: ó Deus, e sim que a palavra theos está no nominativo de aposição.25

por isso Deus, o teu Deus, te ungiu com o óleo da alegria…

A ideia muda claramente. No primeiro caso teríamos o Pai chamando o Seu Filho de Deus, no segundo, como expressa originalmente o Salmo, 45, a palavra Deus se refere ao Pai dizendo que Ele é o Deus de Cristo. Esta é a nossa interpretação mantendo o contexto cultural do salmista e do autor de Hebreus.

te ungiu o teu Deus; a unção era uma acontecimento de grande importância. Ela era usada principalmente na coroação dos reis, podendo também acontecer no investimento de autoridade a sacerdotes e profetas, ou mesmo em convidados especiais de uma festa.

A palavra hebraica mashiach ou a grega christos quer dizer “ungido”, e neste caso tem um significado especial pois se refere àquele que foi ungido não por homens, nem devido a nenhuma situação humana, mas o que foi investido de autoridade pelo próprio Criador de todas as coisas. Significando o coroamento de uma missão, a autenticação de um poder conquistado pela evolução.

No caso de Jesus trata-se de um poder alcançado por um Ser que se graduou a uma condição de Espírito Puro.

O ato de ser Deus quem ungiu ao Messias diz justamente deste coroamento de um processo planejado pelo Criador que sem cumpre em toda sua completude. Por isso alguns textos do próprio Evangelho dizem que Deus foi glorificado no Filho26.

com o óleo da alegria; a unção era feita com óleo, a referência ao óleo da alegria podemos entender como a alegria ou a felicidade mesmo de se completar um processo com a aquiescência da consciência.

Aprendemos também com a vivência dos Espíritos superiores que a alegria é um combustível que não pode faltar na vida do cristão verdadeiro em nenhum momento, mesmo naqueles de grandes dissabores; como orienta-nos o Apóstolo dos Gentios, devemos em tudo darmos graças. Dentro deste entendimento certa vez nosso querido Chico Xavier disse que se Jesus encarnasse novamente entre nós seu nome seria “Alegria”.

Deste modo, ser ungido com o óleo da alegria, é realizar todo processo reeducativo e de conversão ao bem através de boas realizações, com alegria e espontaneidade, jamais nos achando injustiçados ou vítimas de situações que não merecemos.

Esta realização positiva, e desta forma, manifestando alegria e levando-a a todos é que nos dará a verdadeira unção que é a autoridade divina de realizar em nome de Deus.

como a nenhum dos teus companheiros. Historicamente o Salmo citado refere-se a Salomão, todavia a tradição judaico-cristã vê nele uma referência ao Messias. Salomão era tido como superior a todos os monarcas de seu tempo, por isso nenhum de seus companheiros foi ungido como ele.

O autor de Hebreus usa a alegoria se referindo a Cristo dizendo que não existe nem existiu em nosso orbe Espírito nenhum, por mais superior que fosse que estivesse acima de Jesus.

Jesus, como ensina-nos a Doutrina Espírita é o Governador espiritual do planeta, um Messias Divino27, um Homem-Deus28.

Nós como cristãos autênticos também, devemos fazer a diferença, e esta diferença é feita e manifesta através de nossa vida pura e em harmonia com a Lei de Deus, onde a alegria de servir ao Pai e a Seu Cristo nos destaque daqueles homens naturais que em nosso tempo têm o mundo acima do que é imperecível e espiritual.

Diz ainda: és tu, Senhor, que nas origens fundaste a terra; e os céus são obras de tuas mãos.

Mais uma vez temos aqui um citação das antigas Escrituras hebraicas. Deste décimo versículo até o décimo segundo, é citado o Salmo 102, 26 a 28.

No Salmo original é expresso o poder criador de Deus, aqui, como é comum no Novo Testamento temos este poder transferido a Cristo.

Muitos, como temos comentado, têm visto aqui o próprio Messias-Jesus como Criador, o que é um engano e que não retrata a realidade.

Já comentamos alhures, que só Deus é Criador, e que Ele Cria Espíritos à Sua Imagem. Portanto, a criação de Deus é eminentemente espiritual.

Os Espíritos são Co-Criadores, eles “criam” a partir de “algo” que já foi anteriormente criado. Assim, é mais correto dizer que os Espíritos “fazem” e não que “criam”.

Deste modo, a ideia de formar mundos físicos deve ser relacionada aos Espíritos, e não a Deus. Assim, compreendemos melhor toda vez que as Escrituras se referem ao Messias como se ele fosse um Criador, Ele não é Criador, mas construtor e administrador de mundos. No Universo amplo de Deus existem vários Messias a auxiliarem o Verdadeiro Criador no encaminhamento dos Espíritos ainda rebeldes para sua destinação gloriosa que é a redenção através do amor.

Ao introduzir no Salmo original a expressão és tu Senhor, é a Jesus mesmo que nosso autor se refere mostrando ser Ele o Plenipotenciário Divino em nosso mundo. Ele é o merecedor deste título e o exerce com a verdadeira autoridade dos Espíritos feitos Puros.

que nas origens fundaste a terra; origens aqui se refere a uma criação no tempo, o original diz: “desde a antiguidade”, “em tempos remotos”, há muito tempo”.

Isto deixa claro que trata-se de uma formação de mundo físico – Terra – um planeta.

Lembramos novamente de que a Criação original de Deus se dá numa dimensão espiritual, antes do tempo, ela é atemporal.

Aqui é referido então à fundação ou à formação de nosso mundo, de nosso planeta, e Nele Jesus é Soberano, pois é seu construtor; foi Ele quem lançou os fundamentos de nossa Terra.

e os céus são obras de tuas mãos. Céus no plural representando vários níveis. No judaísmo antigo tinha-se a ideia do mundo espiritual dividido em várias dimensões, o que o espiritismo mostra ser uma realidade, existem várias esferas e hierarquizadas no plano espiritual.

Deste modo, céus aqui não quer dizer o “Mundo Espiritual” da criação original de Deus, mas as esferas espirituais que envolvem os mundos físicos e que tornando-se cada vez mais sutis vão definindo morada de Espíritos cada vez mais evoluídos. São os lugares celestiais apresentados por Paulo em sua carta escrita aos efésios.

Deste modo não é contradição dizer que os céus também foram formados sob a orientação do Cristo-Jesus, onde as mãos referem-se à ação do próprio Espírito Jesus e de Seus prepostos também Co-Criadores.

Eles perecerão; tu, porém, permanecerás; todos hão de envelhecer como um vestido…

Eles perecerão; refere-se a tudo o que pertence a universos físicos. Tudo o que de algum modo está revestido de matéria perecerá um dia, deixará de existir em algum momento.

E aqui dizemos o mesmo até do “plano espiritual” como entendemos hoje; pois, como já comentamos, mesmo o “mundo dos Espíritos” que conhecemos está repleto de matéria apesar de achar-se esta em dimensões diferentes. Mas não deixa de ser matéria, e um dia quando nosso planeta não mais existir sob o aspecto que conhecemos, este mundo também perecerá.

Tu, porém; a referência aqui é a Cristo em oposição aos mundos. É o amplamente espiritual se contrapondo ao transitório.

A expressão tu porém, dá um destaque especial, destaque este que pode ser positivo ou negativo, dependendo do que vem depois da conjunção. No caso em questão, é um diferencial acentuadamente positivo, pois se refere ao Cristo-Jesus.

Aqui fazemos uma pausa para uma breve reflexão:

No livro II Reis temos uma referência a um homem chamado Naamã, ele era chefe do exército sírio, era uma grande autoridade. Diz o autor sagrado: e era este varão homem valoroso, porém leproso29.

E aí nos perguntamos, em relação à nossa pessoa quando formos referidos, o que será o nosso porém? Algo nobre, ou algo que nos envergonhe? Pensemos…

permanecerás; o que é transitório e que não tem vida própria perece. Jesus como um Espírito Puro, Aquele que atingiu o padrão máximo de evolução conforme o nosso entendimento, permanecerá para sempre, é o que diz nosso nobre autor.

Podemos ampliar nosso entendimento e dizer que tudo o que não faz parte da criação original de Deus perece. A matéria, como a entendemos, e tudo que surge como necessidade dela não faz parte da criação primária de Deus, ela surge depois por um processo de transformação. O Espírito sim, este é criação originariamente divina e por isso é imortal; ele também permanecerá.

Por que então há por parte do autor um destaque para Cristo como se só ele permanecesse?

É que o Espírito evoluindo se modifica. Aquele que éramos ontem não mais é o mesmo hoje, pois hoje somos uma nova pessoa. A essência é a mesma, o Espírito é o mesmo, mas somos diferentes. Morre o velho, nasce o novo.

Neste sentido só “os Cristos”, aqueles que atingiram o cume da evolução, permanecem. Eles se integraram na Unidade Divina, adquiriram a Vida Eterna, e a partir de então não perecerão jamais.

Nós como Espíritos vamos existir sempre, porém, só quando nos integrarmos em Deus poderemos afirmar que adquiriremos a Verdadeira Vida, e aí, que também permaneceremos para sempre.

todos hão de envelhecer como um vestido…todos se referindo aos mundos formados pela ação dos Espíritos Construtores, estejam eles qualificados como terra, isto é, mundos físicos, ou céus, planos espirituais de vibrações diversas; todos hão de envelhecer como roupas.

Tudo neste universo transitório em que vivemos transforma-se continuamente, sofre pela atuação do tempo. Deste modo, tudo envelhece. Só o que é plenamente espiritual, como as conquistas morais, por exemplo, não se modificam. Virtude conquistada não se perde, e se mesmo nestas nos aperfeiçoamos, é porque ainda não são verdadeiras conquistas. Quando autenticamente se conquistou uma qualidade moral, aí cessa-se o processo de transformação.

Ao comparar os mundos – céus e terra – com um vestido, nosso autor nada mais quer dizer que eles são acessórios úteis ao processo evolutivo do Espírito, como um instrumento didático, só terão razão de existir enquanto forem necessários.

Uma roupa tem o seu tempo de utilidade, vencido este tempo troca-se por outra. Com relação aos diversos mundos existentes no Universo de Deus, são eles úteis até que os Espíritos vinculados a cada um realizem seu processo evolutiva naquela faixa. Quando estes progridem, os mundos também progridem30 até que chega um momento em que o Espírito vencendo aquela necessidade busca outros mais evoluídos onde possa dar continuidade ao processo de redenção. Jesus ratificou este entendimento quando afirmou:

Na cada de meu Pai há muitas moradas…31

e a todos enrolarás como um manto, e serão mudados como vestimenta. Tu, porém, és sempre o mesmo, e os teus anos jamais terão fim.

e a todos enrolarás como um manto, e serão mudados como vestimenta. Temos aqui novamente uma metáfora, manto se relacionando com mundo dando a ideia do versículo anterior sobre a transitoriedade do que é físico, de sua impermanência.

O manto é usado para cobrir diante de uma necessidade, cessada esta, dobra-se ou enrola-se o manto.

No caso dos mundos é a mesma coisa conforme já comentamos, não tendo mais necessidade deixam de existir.

Importante aqui é perceber a sutileza. Para enrolar o manto tem, de certa forma, aquele que assim o faz, de ter condições para tal.

Às vezes “queremos” nos ver livres de determinadas situações, achamos que elas não são mais necessárias ao nosso processo evolucional, mas não é o que se dá, este manto ainda não pode ser enrolado, ainda tem um papel a desempenhar. Por quê? Porque não vencemos ainda aquela necessidade, não conquistamos autoridade sobre aquele assunto de tal forma a podermos dobrar ou enrolar o manto.

Ele, Jesus-Cristo, pode, porque conquistou tal prerrogativa, enrolar mundos, isto é, atuar na formação e na destruição, se preciso, de planetas. Isto é um pouco avançado para o nosso pequeno entendimento das coisas espirituais, entretanto devemos pensar, que tipo de autoridade temos conquistado? Quais são os mantos que temos podido enrolar? E se o mesmo queremos fazer com outros que ainda não conseguimos, como fazer para alcançar tal autoridade?

Tu, porém, és sempre o mesmo; este trecho do versículo não é de fácil interpretação, pois o mesmo sugere que Jesus não muda, ou seja, que Ele não evolui.

Em nossa condição evolutiva atual nós não temos como investigar a situação evolucional de um Cristo, saber se ele continua evoluindo ou não, nem a nossa psicologia, nem o nosso amadurecimento espiritual permite fazer tais cogitações.

O Livro dos Espíritos diz-nos que o progresso dos Espíritos é quase infinito32, ou seja, podemos entender que num determinado momento cessa-se a necessidade evolutiva que em verdade é um processo de reconstrução. Emmanuel, sobre Jesus, diz que Nele cessaram-se todos os processos33. O próprio Jesus ao dizer eu e o Pai somos um34 nos fala de sua total integração na Unidade Divina o que pode nos sugerir que a partir deste momento cessam-se os processos evolutivos.

O certo é que este tema está numa dimensão muito acima do que podemos compreender e não podemos investigar o assunto com total segurança. Tudo o que dissermos a respeito não passará de opinião pessoal que não pode ser comprovada.

Como ainda não conseguimos alcançar o que está para além de uma condição evolutiva de um Cristo, podemos apenas dizer que em Jesus não há evolução como nossa mentalidade ainda involuída consegue alcançar, sendo Ele, segundo nossa ótica, sempre o mesmo.

e os teus anos jamais terão fim. Neste trecho temos a mesma dificuldade. Sabemos que tempo é uma medida relativa e a lógica nos mostra que para Deus o tempo inexiste. Ele é o Senhor também do tempo, antes do tempo existir Ele já criava. Para Deus o passado e o futuro são o presente.35

Uma leitura rápida e condicionada deste texto pode novamente nos levar a uma conclusão apressada, a da Divindade de Jesus; entretanto, analisando à luz dos ensinamentos espíritas, podemos dizer que ao se integrar na Unidade Divina, o Espírito também entra numa dimensão atemporal, ou seja, na eternidade; que ele conquista para si a Vida Eterna conforme nos ensinou Jesus. E estando nesta condição é certo afirmar como o autor do Salmo citado, que os teus anos jamais terão fim.

É muito consoladora esta leitura e vem confirmar o caráter consolador da Doutrina Espírita e do Evangelho, pois mostra a todos nós ser esta a destinação final de todos os Espíritos, que este é o Plano de Deus para toda criação. E não poderia ser de outro modo já que Ele sendo o Pai de todos nós é todo Amor e Misericórdia. Só esta visão, a da salvação de todos os Espíritos é digna da Grandeza de Deus o Criador. Se assim, não fosse, a criação estaria incompleta e poderíamos dizer que Deus falhou na medida em que não conseguiu salvar todos os Seus filhos. O que é inadmissível em se tratando de Deus que é Todo Perfeição e Sabedoria.

A qual dos anjos disse ele jamais: senta-te à minha direita, até que eu reduza os teus inimigos a escabelo dos teus pés?

Nesta seção da carta que iniciou no quinto versículo deste capítulo indo até o décimo quarto, o autor faz várias citações do Antigo Testamento de modo a mostrar a seus leitores que Jesus é maior do que todos os anjos, personagens estes comuns na literatura judaica.

Nestes dois últimos versos do capítulo ele encerrará o tema, aqui ele cita o Salmo 110, que diga se de passagem é um dos mais citados no Novo Testamento, antecedendo-o com uma expressão já comentada do quinto versículo que é: A qual dos anjos disse ele jamais…

Assim, para não repetirmos, sugerimos nossos leitores voltarem aos comentários do quarto e quinto versículos deste capítulo onde falamos sobre os anjos e sobre a expressão destacada deste verso atual.

senta-te à minha direita; também já comentamos sobre o significado de sentar à direita quando analisamos o terceiro versículo deste mesmo capítulo.

Trata-se de uma metáfora representando o poder dado pelo rei àquele que ele colocasse à sua direita. Este teria o poder de governar, abaixo do rei era quem mandava, era o seu preferido.

O Salmo citado é considerado messiânico e sinaliza que ao Messias seria dado esta prerrogativa que não foi dada a nenhum anjo ou Espírito qualquer. Dizendo assim, falando de algo que era conhecido de seus leitores, nosso escritor reafirma ser Jesus o Messias aguardado e superior a todas as criaturas. Era Ele o autêntico Filho de Deus, o que estava em perfeita harmonia com o Pai.

até que eu reduza os teus inimigos a escabelo dos teus pés? Trata-se de uma expressão simbólica de vitória sobre os inimigos, estes ficavam sob sujeição total do vencedor.

O Messias teria todas as coisas sob o seu domínio, nada ficaria de fora de seu poder.

Na literatura referente à Primeira Aliança o Messias era tido como um rei guerreiro que traria prosperidade a Israel e o libertaria do jugo da escravidão. Israel é que seria a nação dominadora a partir da vinda deste representante maior do Deus-Criador.

É preciso aprendermos que a essência do Evangelho mostra-nos que devemos entender esta libertação trazida pelo Cristo como sendo espiritual, e que em Espírito é que devemos compreendê-Lo.

Paulo, entre os primeiros apóstolos do Senhor, foi sem dúvida um dos que melhor compreendeu este caráter da missão messiânica. Quando ele na primeira carta aos coríntios cita este mesmo Salmo 110, ele nos fala que quando o Cristo vencer todos os inimigos é que ele terminará sua missão, e isso se dará quando ele destruir todo principado e potestade, que são representações de poderes espirituais, e diz mais, que o último inimigo a ser vencido é a morte36, mostrando-nos que os inimigos de que ele fala são aqueles que nos atrapalham a conquista da Vida Eterna, ou seja, as virtudes que nos farão definitivamente integrados em Deus.

Desta forma, fica claro que os inimigos a serem subjugados em nome do Cristo são adversários íntimos como orgulho, egoísmo, interesse pessoal, vaidade, presunção, entre outros. Que jamais estamos autorizados a, em nome do Senhor, ter por opositores, pessoas; estas devem ser sempre amadas, sendo que o que deve ser condenado é o erro que elas cometem, o que as religiões tradicionalmente nos fizeram compreender como “pecado”.

Porventura, não são todos eles espíritos servidores, enviados ao serviço dos que devem herdar a salvação?

Porventura, não são todos eles espíritos servidores; este versículo não deixa dúvidas quanto ao entendimento do autor de Hebreus sobre anjos, o que daí podemos depreender ser um entendimento comum no cristianismo do primeiro século, que era o autêntico cristianismo daqueles que viveram no período testemunhal do Cristo.

Os anjos, como na doutrina espírita, eram tidos como Espíritos superiores, isto é, Espíritos servidores. O próprio Jesus já afirmara, aquele que quiser ser o maior que seja servo de todos37, ou seja, o que mais servir.

Assim, aprendemos, no mundo espiritual, tanto quanto no Reino do Cristo, que é o Reino de Deus, o maior, o superior, é o que for mais servidor. Não será aquele que mais ostentar, nem aquele que mais conhecer. O poder não será proporcional ao que se detém, nem será fruto de convencimento por parte daquele que melhor se expressar. A ilusão não terá vez no Reino do Senhor, definitivamente o maior será o que mais servir, o que mais de si der em favor de todos.

Deste modo, os anjos são Espíritos servidores, são grandes diante de Deus, sendo, portanto, maior do que eles, Aquele que ainda mais do que todos, e a todos, serviu em Nome do Pai, o Cristo de Deus, o Messias-Jesus.

enviados ao serviço dos que devem herdar a salvação? Aqui faz-se importante analisar cada palavra.

Enviados; eram mandados por alguém, tinham um objetivo e uma missão a cumprir.

Aquele que os enviou era maior do que eles, no caso era o Cristo. Se eram enviados, existiam antes, o que prova a preexistência da alma e a vida no mundo espiritual.

Como dissemos eles tinham uma missão, estavam ao serviço. Se quisermos falar a língua dos anjos, sermos por eles compreendidos de tal forma que possam nos atender, devemos também estar a serviço, operantes no Bem. No Universo Espiritual o serviço no Bem, a utilidade, é que é a moeda corrente, a que abre portas e leva a conquistas verdadeiras no campo da alma.

O Evangelho nos mostra que jamais Jesus convocou para o seu ministério alguém que estivesse ocioso; estar trabalhando, cumprindo o dever, é pressuposto básico, fundamental, para ser escolhido por Aquele que sonda os corações.

Herdar a salvação; esta é outra expressão que não pode passar despercebida, precisa ser muito bem compreendida por aquele que tem interesse pelas questões espirituais.

Em português herdar quer dizer receber algo de alguém devido à sua morte, por via de sucessão.

No grego do Novo Testamento herdar é kleronomeo que tem entre os seus significados obter pelo direito de herança e também, tornar-se participante de.

Salvação é soteria, que tem o sentido de segurança, de recuperação, de restauração da saúde, de cura, redenção.

Portanto, herdar a salvação, que é o tema básico de toda Bíblia, é participar da salvação, da restauração de sua própria saúde, e aqui o entendimento deve ser espiritual, é realizar a recomposição de seu destino, o que é algo a ser construído dia a dia.

Somos filhos de Deus, portanto por direito natural somos herdeiros...

Todavia ao distanciar-nos do Pai pela desobediência a Sua Lei, perdemos a conexão e o direito natural de filhos.

Salvar-se é reatar este laço, o que se dará pela reconstrução de nossa vida espiritual através da mesma fidelidade com que Jesus nos ensinou a viver.

Deste modo, é preciso reconceituarmos o que seja salvação; salvar-se não é simplesmente sermos perdoados de nossos erros, nem mesmo será vivermos em um mundo espiritual superior. Salvar-se é santificar-se, é buscar a perfeição moral; só assim recuperaremos a condição de filho amado de Deus, é realizar nossa redenção, vivermos a vida que Jesus viveu, sermos imitadores do Mestre de Nazaré.

1 Hebreus, 1: 1 a 4

2 XAVIER, Francisco C./ Emmanuel (Espírito). Paulo e Estevão, 41ª Ed. Rio de Janeiro: FEB, 2004. 2ª Parte Cap. IX, Pág. 640

3 XAVIER, Francisco C. / Emmanuel (Espírito). Emmanuel. Rio de Janeiro: FEB, 1937. Cap. 2

4 CHAMPLIN, Russell N. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. São Paulo: Ed. Candeia, 1995. Vol. 5

5 Cf. XAVIER, Francisco C./ Waldo Vieira/André Luiz (Espírito). Evolução em Dois Mundos, 13a Ed. Rio de Janeiro: FEB, 1993, Cap. 1

6 KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 50ª ed. Rio de Janeiro: FEB, 1980. Q. 536 b)

7 Gênesis, 1: 27

8 Mateus, 5: 16

9 (CHAMPLIN 1995), Vol. 5

10 Salmo, 1: 1 e 2

11 João, 5: 17

12 Cf. Jó, 33:23; Ezequiel, 40: 3; Daniel, 8: 15 e 16, 9: 21 entre outras referências.

13 Gálatas, 3: 19

14 Filipenses, 2: 8 a 11

15 HOUAISS, Antônio. Dicionário Eletrônico da Língua Portuguesa, versão 1.0. Editora Objetiva, 2001.

16 Hebreus, 1: 5 a 14

17 Mateus, 3: 17; Marcos, 1: 11; Lucas, 3: 22

18 KARDEC, Allan. A Gênese, 26ª Ed. Rio de Janeiro: FEB, 1984.

19 Lucas, 2: 14

20 (KARDEC, O Livro dos Espíritos. 50ª ed. 1980), Q. 652

21 Idem, ibidem Q. 654

22 Id., ib. Q. 536 it. B)

23 Há algumas diferenças na numeração dos versículos de acordo com a versão a ser consultada.

24 Champlin, op. Cit. Pág. 484

25 Como cita Champlin pág. 485

26 Cf. João, 13: 31

27 (KARDEC, A Gênese, 26ª Ed. 1984), cap. XV

28 (KARDEC, O Livro dos Espíritos. 50ª ed. 1980), Q. 1009

29 II Reis, 5: 1

30 Cf. KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 104ª ed. Rio de Janeiro: FEB, 1991, cap. III

31 João, 14: 2

32 (KARDEC, O Livro dos Espíritos. 50ª ed. 1980), Q. 169

33 XAVIER, Francisco C. / Emmanuel (Espírito). O Consolador, 16ª ed. Rio de Janeiro: FEB, 1993. Q.327

34 João, 10: 30

35 KARDEC, Allan. A Gênese, 26ª Ed. Rio de Janeiro: FEB, 1984.

36 I Coríntios, 15: 24 a 26

37 Mateus, 23: 11

 


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